A inveja é um grave problema que efetivamente
atormenta trabalhadores nas empresas privadas e servidores do serviço
público. Em alguns casos, tais fatos alcançam proporções graves,
diante da falta de uma política de recursos humanos. A inveja permeia
os bastidores, ela é dissimulada, e geralmente os invejosos tentam
arrebanhar apoio, se passando por vítimas. A inveja é uma das piores
"doenças" das corporações quer públicas ou privadas. A
inveja tem seus efeitos colaterais, uma vez que via de regra a visão
do invejoso é distorcida, maligna, perversa, irreal, cruel,
descambando para mentiras, dissimulações, com o objetivo de destruir
seu alvo a qualquer custo e a qualquer preço.
O problema é que a inveja via de regra desencadeia além do mal
estar, uma série de transtornos ao ambiente organizacional, inclusive
entraves de produção, e comprometimento da eficácia dos serviços
prestados. Na iniciativa privada onde praticamente os cargos e funções
estão hierarquizados de forma mais horizontal, tais problemas
ocorrem, mas de certa forma, sem proporções graves, e geralmente
acontece quando alguém é preterido numa promoção, que se julgava
merecedor. No serviço público a inveja está impregnada de tal
forma, que a situação se evolui mesmo para um caso doentio e que,
portanto, necessário se faz o devido acompanhamento terapêutico.
O invejoso não admite esta condição, ele sempre se acha o
"bomzinho". Só está errado se for o outro que está sendo
beneficiado. Esta sem dúvida alguma é uma das vertentes que
escancara de fato, a prática da inveja. Tudo pode acontecer, até
rompimentos éticos, desde que o beneficiado seja o próprio, daí se
insurgir, ficar revoltado com a promoção de outros, ou quando o seu
companheiro vem obtendo sucessos em sua carreira funcional. Por que
ele???
Inveja no trabalho: por que ele e não eu? A inveja de fato é um
comportamento preocupante. Pessoas passam a agredir seu companheiro
(a) de trabalho gratuitamente. No serviço público diante das composições
políticas e a presença dos intitulados servidores comissionados, a
inveja é operacionalizada totalmente de forma camuflada, jamais explícita.
Tentam de todas as formas prejudicar o trabalho do invejado.
Nas empresas privadas a inveja ocorre geralmente, diante da ênfase
que a maioria destas corporações costuma dar ao componente
competitivo entre seus colaboradores, disseminando-o como algo
"saudável". Infelizmente esta prática ainda é defendida
por alguns teóricos da Ciência da Administração, que com suas idéias
"revolucionárias", na realidade propagam uma estratégia
equivocada de se buscar maior eficácia das suas ações, e desta
forma acaba institucionalizando uma competitividade
"rasteira", cujo único ingrediente mantenedor real desta
situação é inveja. Esse discurso organizacional defendido por estes
teóricos está recheado de contradições, e nos permite inclusive
remover para o aspecto ético.
A inveja nascida dessa premiação discriminatória pode manter-se num
patamar inofensivo - em um nível de "inveja muda",
caracterizada por ressentimentos, desmotivação e torcida íntima
pelo fracasso do "herói" - ou pode chegar ao grau de
boicote. Muitas empresas, analogamente, também criam suas
"estrelas" ou "salvadores da pátria" - e isso
obviamente nada agrega de positivo ao clima interno.
Já no serviço público, o eleito para a condição de invejado passa
a ser o responsável por tudo. O invejoso passa a culpar o invejado
pelos fracassos pessoais, amorosos, funcionais, sexuais, sociais, etc.
Se as coisas não estão dando certo na vida do invejoso o culpado é
o invejado. Daí viver o invejoso pelos "cantos" da repartição
todo cheio de rancor, de ira, de revolta, de frustração, de mágoa,
de ressentimentos. Ele, o invejoso entende e defende não ter culpa de
nada. Muitos já ouviram esta expressão: "há 30 anos que
dou meu sangue neste serviço!" ou "quantas vezes já deixei
minha família para vir trabalhar em feriados e fins de semana"
ou ainda "há dez anos não tiro férias e ninguém reconhece
isso!". Existem outras pérolas como: "Sou dedicado, mas não
sou reconhecido"; "Aqui só os outros ganham";
"Tudo que é de bom aqui no serviço é para os outros".
Este distúrbio comportamental é danoso mesmo e preocupante. O
invejoso chega ao ponto de começar a investigar a vida do invejado.
É capaz de fazer coisas mirabolantes para saber o vencimento,
vantagens, gratificações e outros benefícios do seu alvo. Estas
informações praticamente "alimentam" a sua raiva.
Todos nós percebemos perfeitamente quando o sucesso começa a
incomodar. A inveja efetivamente atrasa o desenvolvimento e pessoal e
profissional do invejoso exatamente pelo fato deste se esquecer de
viver sua própria vida. Este se esquece de agradecer por suas próprias
conquistas, por tudo que adquiriu ao longo de vida, fruto obviamente
de seus méritos. Combater a inveja necessário se faz, por ser um
sentimento devastador e destruidor de relacionamento. Isto ocorre
porque quando existe este tipo de ocorrência via de regra também
ocorrem casos de perseguições, implicâncias, e até fatos mais sérios,
em que há ações de má- fé, com o intuito de prejudicar alguém
que se mostre mais capacitado.
Eis então, algumas sugestões para a pessoa invejosa: desenvolva a
sua própria auto-estima, que lhe garantirá a autoconfiança. As vítimas
das invejas, também um recado: quanto à pessoa que se sente ameaçada
ou sofre perseguições, no ambiente profissional, passe
automaticamente a fazer um diário, anotando tudo o que acontece no
trabalho, tudo o que lhe é dito e ordenado para fazer e a sua opinião
a respeito. Esta é uma garantia no caso de haver qualquer calúnia
contra a sua pessoa, você estará respaldado.
Recorremos então ao dicionário: Para Aurélio Buarque, inveja é o
"desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem; desejo
violento de possuir o bem alheio". Ou seja: até por definição,
a inveja é uns sentimentos dos mais negativos da natureza humana. A
inveja jamais foi ou será um hábito saudável.
Até parece que em alguns casos, os colegas de trabalho chegam a ser
mais solidários e humanos quando o companheiro passa por problemas e
privações. Efetivamente para se combater o maior remédio de todos,
são as práticas cristãs. Na Paz de Cristo!
Paulo Ayres: Jornalista, Radialista, Professor, Tecnólogo em Gestão
de Recursos Humanos, Especialista em Metodologia do Ensino Superior. Email:
pauloyres@ibest.com.br