Biocombustível é "crime contra a
Humanidade"
LUÍS NAVES
O perito das Nações Unidas Jean Ziegler pediu a uma comissão da Assembleia
Geral da ONU uma moratória de cinco anos na produção de biocombustíveis,
para permitir desenvolver novas tecnologias e estabilizar os preços dos
alimentos.
Num só ano, o custo do trigo duplicou e o de milho quadruplicou, devido ao
crescente interesse nos biocombustíveis, considerados boa alternativa ao petróleo.
Mas, para o sociólogo suíço, estes produtos são "um crime contra a
Humanidade".
Jean Ziegler apresentou anteontem o seu relatório e aprofundou algumas das
conclusões que anunciara há duas semanas, numa controversa conferência de
Imprensa, em Genebra. Segundo diz o perito da ONU, os biocombustíveis estão
a provocar o aumento vertiginoso no preço dos alimentos, com potenciais
efeitos catastróficos nos países em desenvolvimento, sobretudo nas camadas
mais pobres da população.
Uma em cada seis pessoas passa fome, ou seja, um total de 854 milhões. O
flagelo atinge as crianças de forma desproporcionada. Segundo a ONU, o
planeta produz alimentos suficientes para alimentar 12 mil milhões de seres
humanos, quase o dobro da população mundial. Mesmo assim, o número de
pessoas severamente mal nutridas subiu, nos últimos 30 anos, de 80 milhões
para 200 milhões. Em cada dia que passa, morrem de fome, ou das suas consequências
directas, 100 mil pessoas.
Por outro lado, a ciência está a evoluir depressa no campo dos biocombustíveis,
acrescentou Ziegler e, "em apenas cinco anos, será possível produzir
bioetanol e biodiesel a partir de restos agrícolas". O perito referia-se
às partes celulósicas das plantas, hoje inúteis, em vez de milho, trigo e
cana de açúcar. Os cientistas também estão a estudar alternativas, como o
de um arbusto, Jatropha Curcas L, que
cresce em zonas áridas, impróprias para a agricultura.
A argumentação do perito da ONU centra-se na questão da alimentação, mas
é também controversa a ideia de que há cortes substanciais de emissões de
gases de efeito de estufa no uso de biocombustíveis na gasolina. Alguns
cientistas dizem que a fase de produção anula esses ganhos.
Com a apresentação oficial do relatório, o debate chega, enfim, ao mais
alto nível político, após os mesmos argumentos terem sido sublinhados pelo
regime cubano, mas também pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Um exemplo adiantado por Ziegler é o do milho, um dos alimentos menos
eficientes nos biocombustíveis. São precisos 250 quilos de milho para
produzir apenas 50 litros de bioetanol. Aquela quantidade permitiria alimentar
uma criança durante um ano inteiro.|
Fonte: http://dn.sapo.pt/2007/10/28/ciencia/biocombustivel_e_crime_contra_a_huma.html
O
Brasil é signatário e se compromete junto a UNIDO no documento de combate à
desertificação. A UNIDO elegeu uma planta como referencia a jatropha curcas.